domingo, 18 de setembro de 2011

Um dia o bêbado pode ser você. E aí... Já imaginou?



É incrível como as pessoas conseguem ser frias diante de situações tão complexas e cheias de significados...

Mas uma vez determinada situação, determinada cena do cotidiano, me chama atenção. Gerando em mim uma vontade enorme de parar no tempo, observar e refletir sobre tais circunstâncias.

Acredito muito que por trás de tudo há sempre uma significância particular. Há sempre diversos motivos que circundam os acontecimentos que nos sucedem diariamente. O interessante é perceber claramente que a grande maioria das pessoas não se atenta para tais motivos. De forma a presenciar certas experiências e as verem de forma fria, individualista e muitas vezes preconceituosa, levando consigo seus valores constituídos socialmente, principalmente no que se refere às visões pejorativas e embasadas no que é ou não tido com bons olhos pelo senso comum.

Vou ser mais clara e objetiva...

Você que está lendo neste momento este texto...

Qual seria sua reação diante de um alcoólatra que se aproxima de você? De imediato posso imaginar três possíveis respostas que podem surgir em sua mente.
1º - Fico com muita “pena”, mas não passa disso.
2º - Tento ao máximo ignorá-lo, me afastar, até por que não sei do que ele é capaz.
3º - Começo a imaginar o que o levou a tal situação, quais os motivos que o deixaram nesta situação.

Certamente, não posso afirmar com plena certeza em qual destas respostas a sua se encontra. Posso apenas analisa-las a partir de uma forma mais geral. Nessa análise, a partir de minhas vivências e leituras, me entristeço em chegar à conclusão que a maioria das pessoas responderia com a primeira e/ou a segunda opção que propus.

Uns quando estão diante de situações parecidas com a que citei sentem pena, receio e até mesmo medo. Muitas vezes utiliza do preconceito e simplesmente se esquivam. Não param para pensar que o (a) protagonista de tal circunstância é gente como a gente. É um ser humano que por determinadas circunstâncias, principalmente pessoais e sociais, se obrigam a viver de tal forma.

Na maioria das vezes, a pessoa bêbada que passa ao seu lado é uma pessoa que não teve a oportunidade de crescer na vida. Não possui o afeto familiar, não desfruta do apoio e força daqueles que o cercam. E muitas vezes nem usufruem da presença de familiares. Certamente essa pessoa já passou por inúmeros problemas, complicações que nem passam pela nossa cabeça quando a vemos cambaleando na rua, quando a observamos deitada em uma calçada qualquer.

É triste, e me desperta até certa revolta, imaginar e comprovar com meus próprios olhos a insensibilidade das pessoas para com aquelas que vivem imersas em tais problemáticas, como no mundo das drogas, no abandono da rua, na escuridão causada pela falta de conhecimento e na completa ausência de direitos.

É neste momento que me pergunto. Onde está o governo e o cumprimento de suas obrigações? Ou melhor, vamos pensar mais próximo de nós mesmos. Onde está a capacidade humana de pensar no seu próximo? De se colocar no lugar do outro? De buscar melhorias e efetivação de direitos?

Não pense que você, ou as pessoas que os cercam, está imune a tais circunstâncias. Um dia o bêbado pode ser você. E aí... Já imaginou? Todos se afastando, te ignorando, te excluindo, te considerando um nada, como algo a ser totalmente repudiado?

Não pense que o problema do outro está longe de te!  Por que às vezes, quando menos esperamos esse problema, como diversos outros, pode bater na sua porta. Às vezes ele nem bate, simplesmente entra e toma conta de sua vida. E se todos pensarem como a maioria e te esquecerem? Será que um dia conseguirá expulsar tal problema e fortalecer sua porta para que o mesmo não mais adentre?

Não espere que a pessoa do seu lado mude! Se coloque no lugar daqueles que sofrem e comece por si mesmo. Um dia pode ser você o alguém que precisa de ajuda.


(Edilyanne Dias)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Conversas, Visões e ser ou não ser COVARDE...


Tudo começa em uma dada calçada icoense, situada no Sítio Histórico de Icó - CE. Em uma conversa não programada, inesperada e bastante sincera surge a palavra “Covarde”, empregada a uma pessoa que possui uma determinada visão a respeito de relacionamentos amorosos. Esta visão consiste basicamente em não acreditar que possa haver realmente, na contemporaneidade, o dito “amor” entre os constituintes de tais relacionamentos. De forma a crer que a honestidade, a fidelidade, a sinceridade e o companheirismo são características escassas em um namoro ou mesmo em um casamento que se dê nos dias atuais. Assim não há de fato o amor, almejado por muitos e praticados por muitos poucos.

A covardia aparece na conversa justamente quando essa visão é rebatida e vista como uma covardia por aquela pessoa que a tem, ou seja, quem possui tal visão é necessariamente um “Covarde”. Nesse momento, buscando uma maior clareza, recorro à definição do Aurélio para a palavra em questão. “Covarde; [Do fr. ant. coart (atual couard).] Adj. 2 g. 1. Sem coragem; tímido, medroso, poltrão. 2. Fraco de ânimo; pusilânime. 3. Desleal, traiçoeiro. S. 2 g.  4. Pessoa covarde.” (AURÉLIO, 2001, p. 191). Para a situação ocorrida na conversa vejo que a primeira definição vai de encontro a mesma de forma mais objetiva.

Sendo assim essa covardia estaria na ausência de coragem, na timidez e no medo de não querer enfrentar e viver relacionamentos amorosos.

Ao longo da conversa, um argumento é dito. “Você utiliza dessa covardia por não querer sofrer (...), e não deveria ser assim, por que sofrer é uma forma de crescimento”.

Entre as inúmeras hipóteses que pode haver para tal frase as seguintes se destacam em minha mente. Talvez esse sofrimento já tenha acontecido na vida da pessoa que é tida como covarde. Talvez esse sofrimento já tenha dado origem a certo crescimento, que a fez ter tal visão.  Talvez as experiências vividas e observadas as levassem a tais conclusões. Talvez haja outras prioridades definidas... São muitos os “talvez”... Com certeza eles serão tratados em outras oportunidades, em outras conversas... Talvez na mesma cidade, na mesma calçada...

Agora, você que está lendo estas palavras... Já parou para pensar a respeito dessa visão de relacionamentos amorosos, nessa descrença nos mesmos? No fato de haver ou não covardia em tais pensamentos? Para você, é possível haver relacionamentos verídicos?

Muitos dizem, e eu concordo que a felicidade se faz presentes em momentos e instantes de pequenos gestos, em determinadas atitudes. Mas quando se trata de relacionamento, esses momentos e instantes de felicidades, superam a infidelidade, a ausência da sinceridade e da honestidade?

Fica a questão...  O que você pensa a respeito?

(Edilyanne Dias)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Você já decidiu o que fazer com a sua “CAIXINHA”?


Meus olhos querem fechar, minha mente descansar e meu corpo relaxar, mas o desejo por expressar as palavras que circundam meus pensamentos é mais forte que eu mesma. Por mais um momento paro e observo o mundo que constituo. As relações não são mais as mesmas, os objetivos mudaram, o sentido de viver foi modificado... As lembranças começam a surgir, as vivências de anos atrás se concretizam em minha vasta imaginação... Os sorrisos, as brincadeiras, as palavras...

Muitos dizem que as crianças são ingênuas. Eu prefiro acreditar que elas são tão francas, sinceras e transparentes em seus gestos e atitudes, que por aqueles que não exercem tais características são vistas como “ingênuas”. É na dita ingenuidade de uma criança que se encontra a veracidade do que se pensa e realmente deseja, do que se sonha, do que é almejado.

Fico a imaginar porque ao crescermos deixamos de lado essas belas características. Muitos dizem que aprendemos com o mundo, que é este que nos molda. Mas e o que pensamos? E o que realmente queremos ser? Onde ficam tais coisas? Talvez elas sejam abandonadas, deixadas de lado, esquecidas em um canto qualquer. Ou mesmo podem estar guardadas em uma caixinha dentro de nós mesmos.

Agora, o porquê de elas estarem escondidas nessa caixinha é uma questão a se pensar...

Você já parou para pensar onde se encontra a sua caixinha? Em que canto a deixou?

Será que nunca teremos a coragem de procurar essa caixinha e abri-la para o mundo?
Será que nunca teremos a coragem de expressar o que realmente sentimos, de sorrir quando sentimos uma pontinha de felicidade e satisfação, de chorar sem se preocupar com a pessoa que está nos vendo... De expressar nossa insatisfação e indignação diante de determinadas situações?  De assumirmos uma posição diante daquilo que concordamos ou discordamos...?

O mundo de hoje quer nos tirar a inteligência, a racionalidade. Quando deixamos nossa caixinha de lado, deixamos com ela o nosso próprio ser! Fechamo-nos para nós mesmos e deixamos que os demais tomem as rédeas da nossa vida. Temos um medo gigante de enfrentarmos o mundo mostrando quem realmente somos, o que realmente objetivamos.

E o pior é pensarmos o seguinte: Até quando nossa caixinha ficará abandonada num canto qualquer? E o sentido da vida, onde fica?

O ruim é pensar até quando nossa caixinha ficará abandonada num canto qualquer. E ver que o sentido da vida é de certa forma, distorcido pelas concepções aceitas socialmente. Sendo em vários casos contrárias ao que realmente somos.

E você... Vai deixar a sua caixinha em um canto por aí, longe da sua realidade, do seu mundo, das suas vivências? Você não acha que essa caixinha não merece ser valorizada, tornando-se concreta em sua vida?

Reclamamos muito da vida que temos. Nunca estamos satisfeitos com o que usufruímos. Mas é de suma importância que pensemos se estamos buscando alguma melhoria que venha a modificar essa realidade!

Não adianta sentarmos diante do que se passa em nosso mundo e assistirmos inertes e inativos a mesma!
A vida está se passando, e ela aumenta sua velocidade a cada segundo que decorre no relógio da existência. Por esse motivo se você quer viver melhor, ou pelo menos fazer a sua parte, abra a sua caixinha e deixe os sentimentos, os sonhos e as ideias se concretizarem dentro da sua realidade. Deixe que a “ingenuidade” se faça presente em sua vida. Não deixe as lembranças adormecidas em sua memória. Lembre-se dos sorrisos dados, das brincadeiras realizadas, das palavras ditas e outras tantas escondidas nos esconderijos de nossas mente. Não pense no que os outros vão pensar de você, mas sim no que você vai pensar de si mesmo quando o tempo passar e você não puder mais voltar atrás, e assim tentar fazer tudo diferente do feito hoje.


(Edilyanne Dias)