É incrível como as pessoas conseguem ser frias diante de situações tão complexas e cheias de significados...
Mas uma vez determinada
situação, determinada cena do cotidiano, me chama atenção. Gerando em mim uma
vontade enorme de parar no tempo, observar e refletir sobre tais
circunstâncias.
Acredito muito que por
trás de tudo há sempre uma significância particular. Há sempre diversos motivos
que circundam os acontecimentos que nos sucedem diariamente. O interessante é perceber
claramente que a grande maioria das pessoas não se atenta para tais motivos. De
forma a presenciar certas experiências e as verem de forma fria, individualista
e muitas vezes preconceituosa, levando consigo seus valores constituídos socialmente,
principalmente no que se refere às visões pejorativas e embasadas no que é ou
não tido com bons olhos pelo senso comum.
Vou ser mais clara e
objetiva...
Você que está lendo
neste momento este texto...
Qual seria sua reação
diante de um alcoólatra que se aproxima de você? De imediato posso imaginar
três possíveis respostas que podem surgir em sua mente.
1º - Fico com muita
“pena”, mas não passa disso.
2º - Tento ao máximo
ignorá-lo, me afastar, até por que não sei do que ele é capaz.
3º - Começo a imaginar
o que o levou a tal situação, quais os motivos que o deixaram nesta situação.
Certamente, não posso
afirmar com plena certeza em qual destas respostas a sua se encontra. Posso
apenas analisa-las a partir de uma forma mais geral. Nessa análise, a partir de
minhas vivências e leituras, me entristeço em chegar à conclusão que a maioria
das pessoas responderia com a primeira e/ou a segunda opção que propus.
Uns quando estão diante
de situações parecidas com a que citei sentem pena, receio e até mesmo medo.
Muitas vezes utiliza do preconceito e simplesmente se esquivam. Não param para
pensar que o (a) protagonista de tal circunstância é gente como a gente. É um
ser humano que por determinadas circunstâncias, principalmente pessoais e
sociais, se obrigam a viver de tal forma.
Na maioria das vezes, a
pessoa bêbada que passa ao seu lado é uma pessoa que não teve a oportunidade de
crescer na vida. Não possui o afeto familiar, não desfruta do apoio e força
daqueles que o cercam. E muitas vezes nem usufruem da presença de familiares.
Certamente essa pessoa já passou por inúmeros problemas, complicações que nem
passam pela nossa cabeça quando a vemos cambaleando na rua, quando a observamos
deitada em uma calçada qualquer.
É triste, e me desperta
até certa revolta, imaginar e comprovar com meus próprios olhos a
insensibilidade das pessoas para com aquelas que vivem imersas em tais
problemáticas, como no mundo das drogas, no abandono da rua, na escuridão causada
pela falta de conhecimento e na completa ausência de direitos.
É neste momento que me
pergunto. Onde está o governo e o cumprimento de suas obrigações? Ou melhor,
vamos pensar mais próximo de nós mesmos. Onde está a capacidade humana de
pensar no seu próximo? De se colocar no lugar do outro? De buscar melhorias e
efetivação de direitos?
Não pense que você, ou
as pessoas que os cercam, está imune a tais circunstâncias. Um dia o bêbado
pode ser você. E aí... Já imaginou? Todos se afastando, te ignorando, te
excluindo, te considerando um nada, como algo a ser totalmente repudiado?
Não pense que o
problema do outro está longe de te! Por
que às vezes, quando menos esperamos esse problema, como diversos outros, pode bater na sua porta. Às vezes ele nem bate, simplesmente entra e toma conta de
sua vida. E se todos pensarem como a maioria e te esquecerem? Será que um dia
conseguirá expulsar tal problema e fortalecer sua porta para que o mesmo não
mais adentre?


